Memórias de um Cravo...

Guardo na minha memória de criança,
Uma revolução que se queria a raiz,
Da democracia deste pobre País.
Representada por um cravo tornado esperança.
Nostalgicamente recordo aquele dia de Abril.
Dia carregado de fraternidade,
Em que o cravo de um fez-se 10, 100, 1000
Representando o acontecer do milagre da Liberdade.
Mas este milagre durou pouco, ou nada.
Porque depois da constituinte,
Veio a assembleia seguinte
E a democracia representativa deu lugar à representada.
Tudo passou a fazer parte de um passado.
E o cravo que fora 10, 100, 1000
Foi traído e morto de forma vil,
Perdurando apenas nas lapelas pendurado.
Esta é a minha memória de uma revolução,
Que um dia se revelou apenas ilusão!